Empresas têm base para inovação, mas caminho a percorrer, mostra pesquisa

Estudo da UCS, apresentado no Inova Bento, analisou capacidade de inovar de empresas locais

Considerado o primeiro estudo sobre a capacidade de inovar das empresas de Bento Gonçalves, o levantamento conduzido pela UCS Bento e apresentado nesta terça-feira, no Inova Bento, mostrou que as organizações da cidade ainda têm diversas oportunidades para evoluir.

A pesquisa analisou 10 fatores de inovatividade – cultura, estrutura organizacional, liderança, aprendizagem, pessoas, infraestrutura tecnológica, mensuração, processos e relacionamentos – de 90 empresas que aceitaram responder o questionário, aplicado de modo online entre dezembro de 2022 e março de 2023. Por inovatividade, entende-se a capacidade das organizações para inovar, considerando suas condições habilitadoras de inovação. Para cada um dos 10 itens, as empresas atribuíram uma nota de 0 a 10 para medir o grau de concordância com as perguntas – três para cada um dos fatores.

Em todos eles, a média ficou abaixo da nota 8. "A pesquisa mostrou que temos a base para inovação. Temos necessidade de profissionalizar as práticas e estruturas associadas à promoção e à sustentação da inovação", disse o professor Fabiano Larentis, sub-reitor da UCS Bento e responsável pela pesquisa.

Dos 10 fatores analisados, o item cultura foi o que teve melhor desempenho, com média de 7,59, enquanto o elemento relacionamentos registrou o pior, com 6,17. "Estamos mais avançados na cultura para a inovação, mas ainda temos muitos elementos com médias menores. O mais crítico são os relacionamentos. Nossas empresas desenvolvem bem seus produtos, mas de maneira isolada. Não fazemos inovação apenas internamente, precisamos fazer de dentro para fora também, tem que ter abertura porque os conhecimentos estão em vários lugares", analisou o professor.

Além de cultura, outros quatro itens alcançaram notas acima de 7 – estrutura organizacional (7,42), liderança (7,39), estratégia (7,25) e aprendizagem (7,20). Todas as demais ficaram abaixo disso, com pessoas registrando 6,86; infraestrutura tecnológica alcançando 6,75; mensuração chegando a 6,68; e processos ficando com 6,43. Além disso, a pesquisa também mediu o desempenho inovador das organizações, a partir de dados de produtos e organizacional, cuja média ficou em 6,96. Para o professor, mesmo analisando o corte a partir do porte da empresa – pequena, média e grande –, as diferenças não foram estatisticamente significantes. "Com exceção de alguns poucos pontos, as diferenças entre os portes de empresa são pequenas. Temos um bom caminho pela frente para ampliar a capacidade de inovação das empresas", alertou Larentis.

 

Caminhos a seguir

Os números apresentados pela pesquisa não foram importantes apenas para conhecer o grau de inovatividade das empresas, mas também porque podem amparar estratégias para o progresso delas nesse quesito. Alguns caminhos já foram apontados pela UCS Bento.

Entre eles estão os ambientes – como o Inova Bento, por exemplo – e ações de sensibilização, comunicação, compartilhamento e aprendizagem. Os usos de tecnologias associadas às práticas de inovar também fazem parte dessa trilha, assim com estabelecer processos para a mensuração da inovação. O cultivo constante de relacionamentos, internamente, entre organizações e nos ecossistemas é fundamental. "Ninguém faz inovação sozinho", disse Larentis, acrescentando outro caminho para as empresas seguirem, a preparação das pessoas para a inovação.

O próprio estudo trouxe um dado que pode ajudar as empresas nesse sentido. Conforme a pesquisa, há um grau de correlação dos 10 fatores analisados de 0,6 – quanto mais próximo do 1, maior a correlação. "Se eu trabalhar um aspecto, estarei contribuindo para que outro também cresça", ressaltou Larentis.

Das 90 empresas participantes, 40% eram indústrias e 35,6% oriundas do setor de serviços. Outras 17,8% eram do comércio e 6,7%, do turismo. A maioria das organizações participantes foi de pequeno porte, com 54,4% do total. Empresas de médio e de grande porte foram representadas por 34,4% e 11,1%, respectivamente, dos participantes. A pesquisa teve apoio do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), Inova Bento e Bento+20.

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